O retalho do futuro já está aqui: Xavi García Muret explica-nos por que razão a tecnologia RFID não é o futuro, mas sim o presente.

Xavi García Muret, CEO de STC

Na STC, acreditamos que a melhor forma de explicar o que fazemos é contar quem somos. E, para isso, não há melhor ponto de partida do que Xavi García Muret, o nosso CEO e sócio fundador. Campeão do mundo e bicampeão europeu de vela na classe Optimist, com mais de 20 anos de experiência no setor do retalho e a pessoa que, um dia, acordou a perguntar-se porque é que a tecnologia RFID continuava a ser algo ao alcance de poucos. Nesta primeira edição da nossa série de entrevistas mensais, Xavi conta-nos a sua história, a nossa missão e para onde estamos a caminhar.

 

01 · AS ORIGENs


Antes de falarmos de tecnologia e retalho, há uma parte importante da tua história ligada ao desporto. De que forma essa etapa influenciou a tua maneira de liderar e de compreender os negócios?

Comecei a velejar aos seis anos. A vela deu-me algo muito mais valioso do que troféus: moldou a minha personalidade. Ensinou-me a luta, o sacrifício, o esforço e a capacidade de me adaptar a fatores que não podia controlar, como a meteorologia ou o ambiente. Quando velejas sozinho, aprendes que nem sempre podes mudar as circunstâncias, mas podes mudar a forma como reages perante elas.

Aos 12 anos fui campeão da Europa. Isso coloca-te numa posição de liderança muito cedo e obriga-te a desenvolver uma estratégia própria para continuar a avançar. Também te ensina uma lição de humildade que te acompanha ao longo de toda a vida.

"Aos 12 anos fui campeão da Europa. Isso obriga-te a criar a tua própria estratégia, diferente e única em relação à dos outros."

Ao representar Espanha em competições internacionais, descobri também que existem fatores alheios ao desempenho desportivo que fazem parte do jogo. Essa experiência ensinou-me algo que continuo a aplicar hoje: concentrar-me naquilo que depende de mim e nunca perder o foco nos meus objetivos.

 

02 · os pilares


Que aprendizagens do desporto continuas a aplicar hoje no teu dia a dia como CEO da STC?

A energia, a disciplina e a melhoria contínua continuam a marcar a minha forma de trabalhar. Sempre acreditei em experimentar, aprender e voltar a tentar. Essa mentalidade acompanha-me desde criança e é a que aplicamos hoje na STC.

"O que fazemos na STC não é uma corrida de sprint. É uma ultramaratona."

Para crescer, é preciso ter uma visão clara, avançar por etapas e rodear-nos de uma equipa alinhada. Embora a vela fosse um desporto individual, ensinou-me o valor da colaboração, um princípio que continua a ser fundamental na nossa forma de trabalhar.

 

03 · o momento fundador


Tens mais de 20 anos de experiência no mundo dos negócios e da tecnologia. Qual foi o momento em que pensaste "isto do RFID vai mudar tudo"?

Depois de vários anos a ocupar posições de responsabilidade na multinacional líder do setor, o Rafa e eu decidimos criar o nosso próprio projeto. Identificámos uma oportunidade clara: aproximar a tecnologia RFID das PME e dos retalhistas de média dimensão, que até então ficavam de fora devido à complexidade e ao custo da implementação..

"Quando me dizem que algo é impossível, isso dá-me ainda mais energia para provar que é possível."

Foi por isso que criámos um ecossistema de parceiros especializados, coordenado pela STC como único interlocutor do cliente, simplificando todo o processo de implementação do RFID.

 

04 · o que FaZemos


Para alguém que não conhece a STC, como explicarias numa frase o que fazemos e por que razão é importante?

Ouvimos as necessidades de cada retalhista e concebemos soluções RFID adaptadas à sua realidade. Não impomos tecnologia; resolvemos problemas.

"Ouvimos e ajudamos."

O nosso objetivo é melhorar a visibilidade do negócio, otimizar a gestão do inventário e ajudar a tomar melhores decisões com base em dados reais.

 

05 · os desafios do setor


O retalho está a atravessar um momento de transformação profunda. Quais são os três grandes desafios que o setor enfrenta atualmente?

Os três grandes desafios do retalho são a omnicanalidade, a gestão dos dados e a automatização. O cliente exige uma experiência fluida entre canais, as empresas precisam de tomar decisões com base em informação fiável e as equipas de loja devem dedicar mais tempo ao cliente e menos a tarefas operacionais.

"A maioria dos retalhistas ainda não sabe exatamente o que tem e onde o tem em tempo real."

A tecnologia RFID desempenha um papel fundamental na resposta a estes três desafios.

 

06 · Desmistificar o RFID


Muitas empresas ainda veem o RFID como algo complexo ou distante. O que lhes dirias para desmistificá-lo?

O RFID já não é uma tecnologia do futuro, mas sim uma ferramenta acessível a retalhistas de qualquer dimensão. Os custos diminuíram, as implementações são mais rápidas e o retorno do investimento é cada vez mais evidente.

"A conversa já não é se vou implementar RFID, mas quando."

O nosso papel é acompanhar o retalhista durante todo o processo, simplificando uma implementação que hoje é muito mais simples do que muitos imaginam.

 

07 · os nossos clientes


A STC trabalha com marcas muito relevantes. O que têm em comum as empresas que já deram o salto para o RFID 360°?

As empresas que já apostaram no RFID 360° têm algo em comum: tomam decisões com base em dados precisos e em tempo real.

"Gerir sem dados fiáveis é tomar decisões às cegas."

Quando um retalhista compreende o impacto que essa visibilidade pode ter no seu negócio, a pergunta deixa de ser por que razão deve implementar RFID e passa a ser quando começar.

 

08 · Espanha e Portugal no mapa do RFID


Como está a evoluir a adoção do RFID nos mercados espanhol e português em comparação com outros mercados europeus?

Espanha é um dos mercados mais avançados da Europa na adoção da tecnologia RFID no setor moda, impulsionada em grande parte pelo papel pioneiro da Inditex.

"Espanha é líder europeu na adoção da tecnologia RFID."

Portugal avança a um ritmo mais gradual, enquanto o sucesso de qualquer projeto RFID continua a depender de uma implementação e integração adequadas.

 

09 · a nossa visão


Qual é a visão da STC para os próximos três anos? Para onde vos leva este caminho?

Queremos continuar a crescer sem abdicar daquilo que nos define: a qualidade da execução e a proximidade com os nossos clientes.

"Não queremos assumir mais projetos do que aqueles que conseguimos executar bem."

O nosso objetivo é democratizar o RFID e continuar a construir uma equipa constituída por pessoas que gostam de ajudar.

 

10 · A mensagem


Se pudesses enviar uma mensagem ao retalho espanhol que ainda não apostou na tecnologia RFID, o que lhe dirias?

Vamos conversar. É tão simples quanto isso.

Cada retalhista tem desafios diferentes e tudo começa por compreendê-los.

"Nós não vendemos: ouvimos."

Se ainda não deste o passo, provavelmente não é porque duvides da tecnologia RFID, mas porque tens outras prioridades de investimento neste momento. Compreendo. Mas quanto mais cedo começares, mais cedo poderás tomar decisões com base em dados reais e ter uma visibilidade completa do teu negócio.




Para além da tecnologia RFID, a conversa com Xavi García deixa uma ideia clara: o futuro do retalho não passa apenas pela digitalização de processos, mas por compreender melhor o que acontece em cada ponto de venda e tomar decisões com base em informação real. Desde a disciplina aprendida na competição desportiva até à visão estratégica com que lidera a STC, a sua abordagem combina tecnologia, metodologia e proximidade com o cliente. E talvez seja aí que esteja a chave para o caminho que o setor está a seguir: um retalho mais conectado, mais eficiente e, acima de tudo, mais humano.

Perguntas Frequentes

Como ajuda o RFID a melhorar a gestão de inventário?

A tecnologia RFID permite conhecer a localização e a disponibilidade dos produtos em tempo real, melhorando significativamente a precisão do inventário. Ao contrário dos métodos tradicionais, o RFID automatiza os processos de contagem, reduz os erros manuais e permite realizar inventários muito mais rapidamente. Isto ajuda os retalhistas a otimizar a reposição, evitar ruturas de stock e tomar decisões baseadas em dados fiáveis.

Que benefícios oferece o RFID ao retalho omnicanal?

O retalho omnicanal exige uma visão unificada do stock em todos os canais de venda. O RFID permite sincronizar a informação entre lojas físicas, e-commerce e armazéns, proporcionando maior precisão na disponibilidade dos produtos. Graças a isso, os retalhistas podem melhorar serviços como Click & Collect, Ship from Store ou devoluções cruzadas, garantindo uma melhor experiência de compra para o cliente.

Porque é que o RFID é fundamental para a transformação digital do retalho?

O RFID é uma das tecnologias que impulsionam a transformação digital no retalho, porque transforma os dados dos produtos em informação acionável e em tempo real. A sua capacidade para automatizar processos, melhorar a visibilidade do inventário e otimizar as operações permite às empresas serem mais eficientes, ágeis e competitivas. Além disso, facilita a integração com outras tecnologias digitais no âmbito da estratégia de modernização do negócio.

Como melhora o RFID a rastreabilidade dos produtos?

A tecnologia RFID permite registar e monitorizar o percurso de cada produto desde a sua origem até ao ponto de venda. Isto proporciona uma rastreabilidade completa e atualizada em tempo real, ajudando as empresas a controlar movimentos, reduzir perdas e garantir uma gestão mais eficiente da cadeia de abastecimento. A rastreabilidade através de RFID também melhora a transparência e a capacidade de resposta perante incidentes.

Que setores do retalho estão a implementar RFID?

O RFID já está consolidado em setores como moda, desporto, cosmética, eletrónica e alimentação. Estas indústrias utilizam a tecnologia para melhorar a gestão de inventário, aumentar a precisão do stock e otimizar a experiência do cliente. Além disso, cada vez mais retalhistas incorporam o RFID nas suas estratégias de digitalização e eficiência operacional para responder às novas exigências do mercado.